26 de julho de 2010

Um quarto de século

Podemos nem puxar muito pela memória que certamente virão momentos que recordamos facilmente e que retemos em nós todo o saudosismo possível.
Não podemos enumerar todos que passam pela nossa vida e catalogar de forma racional, todos foram importantes, com importâncias diferentes.
As palavras servem para nos aquecer e é a última coisa que quero fazer neste dia porque tenho tido muitos momentos de sobra para encher a alma.
Vou estar com alguns dos que durante estes 25 anos me permitem acalentar outros 25.

1985 Porto Calém
Vinhos de aroma muito fino. Qualidade excepcional. Um Vintage clássico, com aromas intensos e uma estrutura firme em frutado e taninos. Quase todas as empresas declararam. Tempo excelente. Início do Inverno frio, mas Fevereiro e Março quentes. Alguma chuva na Primavera e temperaturas normais até ao Verão. Junho muito quente, a que se seguiu um Verão normal. Vindima em condições perfeitas.

Engraçado como posso recordar o tempo em que estava a crescer segundo a nascença de um Vintage. Tal como eu, este vinho frutado nasceu num verão normal mas foi celebrado num verão completamente anormal.

Brindei com os que estão perto de mim e a pensar nos que longe estão.

Aos de ontem, aos de hoje,
e sobretudo aos que me acompanham no sempre,
Obrigado

19 de junho de 2010

José Saramago

Desapareceu aquele escritor, aquela pessoa, que tinha um dom para usufruir da liberdade em toda a sua plenitude.
Ideologicamente estamos longe, mas no rasgo libertário, acompanho-o lado a lado.
Dizia o que sentia, o que o feria mas sobretudo dizia o que queria. O seu vulto cobria e enchia de respeito as palavras que proferia. Mesmo quando as palavras encontravam-se distantes do que eu achava ser razoável e sensato.
Deixa um legado grande e sinto-me grato por um português ter disponibilizado a sua arte ao dispor da sua terra. Acho que foi daqueles casos em que recebeu em vida a justa reversão pelo que deu.
Na hora da despedida voltou a receber o agradecimento de todos, porque nós na hora da despedida somos sempre de levantar armas e conceder medalhas.
Desta vez eu não levanto as armas, nem concedo medalhas porque a sua obra é eterna e vamos senti-lo sempre por perto.

26 de maio de 2010

Representar os estudantes na ESGHT

Escrevo após os primeiros meses de responsabilidade na defesa dos interesses dos alunos no Conselho Pedagógico.
Partindo para uma pequena reflexão e vestindo a camisola das funções que me são atribuídas, vejo que todos nós somos livres e temos o direito de expressar a nossa opinião na forma que achámos mais conveniente, mas nesta pele, a nossa opinião é revestida da confiança de alguém. Por isso temos necessariamente de ter um julgamento diferente, uma maior dose de sensibilidade e de abrangência.
Este é o caso de todos aqueles que vêem em si depositadas funções de representação de interesses, como é o meu caso por parte dos meus colegas de curso.
Assim, penso que devemos ter uma irreverência institucional. Quero dizer que temos de percorrer os canais próprios que nos são atribuídos, sem perder o espírito critico.
Até hoje posso dizer que todos os cargos que assumi, todas as estruturas que os suportam, funcionaram e responderam por si.
Os sistemas são feitos para responderem por eles próprios. Quando não o fazem é porque são deficientes e cabe a nós melhora-los. O nosso mostra o porquê de sermos um pilar de referência dentro da Universidade do Algarve.
Possuímos os instrumentos necessários para resolver as questões elementares que nos surgem no dia-a-dia, de modo a que impere o regular funcionamento.
Constato com satisfação que a nossa escola é ágil e eficiente na resposta a dar aos problemas que se colocam. Tal prova é para todos nós a garantia suficiente para que a nossa missão seja bem-sucedida.

Por fim, uma palavra breve de congratulação em relação à elevada taxa de questionários preenchidos referentes aos aspectos organizacionais e funcionais das diferentes unidades curriculares.

30 de abril de 2010

Senado Académico da Universidade do Algarve

Tendo eu o entendimento que a AAUAlg tem como fim a defesa dos interesses dos alunos, não percebo como ainda não surgiu uma crítica de qualquer espécie ao processo eleitoral para o Senado. Um órgão que já deveria estar eleito ou desencadeado desde 23 de Abril do ano passado, um órgão consultivo que tem uma indicação clara de representação por parte dos alunos e que por isso mesmo deve haver uma clarificação por parte dos nossos representantes quando as condições da nossa participação não estão reunidas na sua totalidade. E falando com conhecimento de causa, pois estive na mesa de voto do dia 26 desta semana.. Houve um planeamento incapaz de proporcionar numa primeira fase conhecimento do acto eleitoral e numa segunda fase a oportunidade de quem quisesse utilizar o seu direito de exercer o direito de voto o fizesse livremente através do conhecimento do processo.

Ninguém, e quando digo ninguém refiro-me aos alunos, estava preparado para uma votação uninominal. Se quando as votações são constituídas através de listas integradas por vezes causam estranheza para os alunos, o que dizer das uninominais.

Desta vez não se pode atirar a culpa aos candidatos e apontar-lhes o erro de não terem feito um esclarecimento e uma promoção cabal do acto eleitoral porque simplesmente não houve candidatos. Se estas responsabilidades que referi não são assumidas nos candidatos, têm de obrigatoriamente ser assumidas por alguém.

Ora, respondendo à pergunta se o Senado já devia estar eleito, acho que é unânime que já. Mas se não está, não devíamos enjeitar a possibilidade de fazer as coisas com a maior exigência possivel e não menos importante com o respeito que a identidade da instituição Universidade do Algarve nos deve merecer.

Não chega publicar nos portais das Escolas e Faculdades e no portal institucional da universidade. No caso dos alunos, sabendo que existem núcleos pedagógicos e uma associação académica em sua representação não percebo a sua não utilização como canal se não privilegiado, pelo menos de parceiro na comunicação do acto eleitoral. Não é o mesmo informar uma comunidade de docentes e informar uma comunidade extensa como é a de alunos.

Seria melhor não falar nos parcos alunos que votaram e que não sabiam para que órgão estavam a votar e no procedimento de voto que lhes era absolutamente desconhecido. Quem assumiu funções na mesa como foi o meu caso, correu o risco de ser eleito por somente estar presente naquele momento.

Não quero com isto dizer que o resultado da adesão dos alunos fosse diferente, mas estaria assegurado que o acto correspondia à vontade expressa dos alunos e que todos estariam conscientes da opção que tinham tido no dia 26 de Abril.

Faltou sensibilidade para a instauração desta primeira eleição para ao Senado. Faltou respeito por este órgão e permitam-me o desabafo, acho que nasceu torto por parte dos alunos na adesão, mas sem responsabilidade dos alunos. Espero que se tenha aprendido e para o próximo acto eleitoral se tenha aprendido com o que correu menos bem.

Obras feitas!

Mais adaptado às novas tecnologias e com um visual diferente. Um investimento não monetário mas de tempo que acho que valeu a pena.

2 de abril de 2010

Facebook, What else?

Já sabemos que a política nos Estados Unidos assume dimensões talvez, únicas.
Neste caso já sabemos o histórico de importância que as redes sociais tiveram na últimas presidenciais, mas continuam a assumir uma centralidade crescente na vida politica americana. Chegam ao ponto de criar um índice actualizado semanalmente, que indica a popularidade de cada politico...no Facebook.
Dos dez que constam no ranking, Barack Obama lidera sem surpresa (quase 8 milhões de fãs). Em 2º lugar e bem atrás, vem Sarah Pallin, antiga candidata a vice-presidente dos Republicanos com pouco mais de 1 milhão e meio de fãs. Mas depois se formos com mais pormenor às respectivas páginas, verificamos que existe uma alucinante interacção a cada nova publicação que surge.
Claro que estava curioso em puxar um pouco atrás e ver as publicações sobre a reforma do sistema de saúde. Pois, 115 mil pessoas interagiram no momento do anúncio e quase 15 mil chegaram mesmo a publicar um comentário. Incrível!

Para quem quiser ver:
Autor do índice: http://techpresident.com/

28 de março de 2010

É o Benfica!

Ao ler um artigo sobre a vida de um treinador de futebol no desemprego nesta sexta-feira no jornal I dou nesta descrição que José Carlos Pereira faz de Guardiola - "É inteligente, com capacidade de liderança interessante e um catalisador de tudo o que há de bom no clube" continuando, "À volta da face visível que é o rendimento da equipa há muitas coisas, a cultura do clube, a capacidade do plantel, as ideias do treinado. O actual Barça é o reflexo de tudo isso."

Surge na minha cabeça quase a sublinhar o que antes lera, que o maestro da fantástica orquestra que é o Barcelona, é um profundo adepto do clube, foi jogador e viveu na idolatria que um jogador nestes grandes clubes pode viver. Mas transpor este pensamento, transpor esta cultura para alguém que é adepto de um clube rival é algo que dá que pensar, pelo fascinante que isso pode significar.

Olho para Jorge Jesus e vejo esse caso paradigmático. Acho que é uma prova suprema e bem viva que somos um clube que representa a par de poucos um fenómeno social intenso e de curiosa interpretação.

Tantos anos passados de vitórias, deixamos de ser hegemónicos e continuamos a pensar que o éramos. Não soubemos reconhecer que estar vivo mas adormecido não a mesma coisa de estar vivo e bem acordado. A nossa cultura de exigência para com o sentimento de vitória foi diminuindo, a nossa euforia desproporcionou-se com o passar do tempo. Fazíamos intenção de dizer que seria uma questão de tempo até voltarmos a dominar, mesmo sabendo que a realidade não demonstrava isso, mesmo sabendo que a razão muitas vezes não entra em casa quando falamos do Benfica.
Nisto, quando chega um senhor, de cabelo grisalho e diz de peito feito que o objectivo para o qual estava ali era o de ser campeão. Coloca nas nossas faces um misto de "agora é que vai ser" e de "nem à champions fomos e quer ser campeão". Parece que toda a gente de fora via e sabia o que fazer, menos nós.
Dizia que ia jogar o dobro e a nós já nos bastava jogar melhor. Quando demos por nós andávamos a ganhar e a limpar à goleada quem no passado se ganhássemos pela margem mínima era motivo de contentamento.
Hoje o Benfica é o Benfica, a razão já não anda mais deslocada e tudo porque um senhor soube respirar a nossa grandiosidade...de fora. Viveu de fora o nosso sofrimento por dentro, soube ler e entrelaçar a oportunidade de uma vida que nos últimos anos poucos souberam dar o devido valor.
O nosso reflexo actual é de alguém que viu por fora a angústia que é impossível de conter cá dentro. A nossa cultura extravasa portas e para o bem e para o mal, faz com que nós sejamos enormes.