Para começar não acho que estejamos a viver um período de censura onde o lápis azul voltou a rasurar os jornais antes das edições fecharem. Mas não posso deixar de assinalar como Mário Crespo diz, "um clima de censura nos media".
O caso "Face Oculta" que se tem falado com insistência, alavanca consigo várias questões. O porquê do estado ainda deter a Golden Share, o porquê dos membros indicados pelo governo para ocupar cargos públicos não possuírem uma carteira profissional condizente com as funções que desempenham e por último, talvez a questão mais perturbadora, a ingerência dos grupos económicos detentores dos órgãos de comunicação nas respectivas linhas editoriais.
Se recuarmos até ao último verão e à história da compra da TVI pela PT, o negócio que segundo Zeinal Bava dizia que era estratégico pelos conteúdos multimédia, o negócio que José Sócrates dizia desconhecer, agora não é mais do que uma história de embalar. Na altura o Governo para travar a crescente mediatização do caso e corta-lo pela raiz ameaçou accionar o poder de veto que que Golden Share proporciona caso as negociações fossem avante. Também na mesma altura não sabia que nos representantes indicados pelo Governo para a Comissão Executiva da PT tinha um senhor chamado Rui Pedro Soares.
Devido à extrapolação do caso, hoje podemos saber com mais pormenor quem é este figurante que tem a função de representação estatal. A experiência profissional pensamos nós de boa-fé que nem deve ser colocada em causa, isto quando vemos que um licenciado em Gestão de Marketing pelo IPAM no Porto, que foi assessor de dois eurodeputados do PS, que teve uma passagem pelo departamento de marketing da Cetelem, que foi vereador sem pelouro pelo PS na câmara municipal de Lisboa após derrota de João Soares, é plantado numa das maiores empresas portuguesas a ganhar cerca de 2.5 milhões de euros ao ano. Se olharmos somente para a experiência profissional derivada da qualificação fica-se a pensar que era imperativo dar um pouco de brilho ao curriculum. Fica a assessor na comissão executiva da PT Multimédia em áreas que a experiência profissional manifesta desconhecimento e passado um ano toma posse como administrador executivo. Agora vamos fazer o exercício de pensar onde estaria este senhor se a Golden Share já não existisse. Deverão estar a pensar o mesmo de que eu, estaria noutro lugar na máquina governamental devido às suas excelentes capacidades atrás evidenciadas, pois claro.
Depois deste cartão-de-visita, e não sei se foi aconselhado por alguém, mas esta figura teve a ideia inoportuna de colocar uma providência cautelar para evitar a publicação das escutas. Pensando meramente no campo das hipóteses, se no quadro jurídico existe essa opção porque não a accionar. Não podemos fazer uma crítica pela utilização deste meio jurídico, podemos sim criticar ter sido mal dirigida e ser inócua. Diga-se de passagem que as escutas foram arquivadas e deixaram de estar abrigadas pelo segredo de justiça.
A tentativa de manter por pelo menos 30 dias a publicação das escutas na gaveta só deu lustro a um sapato já de si bonito. Confesso que se as escutas não fossem publicadas no SOL iriam para certamente a um blog ou seriam transcritas no youtube como aconteceu no caso Apito Dourado. Por isto acho a providência cautelar inócua, porque não consegue ser eficaz ao ponto de evitar que a opinião pública saiba do conteúdo das escutas. No aspecto formal tudo muito bonito mas depois faltou um pouco de perspicácia.
Mas para quem leu a edição do SOL de sábado (sim, eu fui dos que não conseguiu comprar sexta-feira) viu o esplendor com a que pressão de interesses superiores entra pelos gabinetes dos directores de órgãos de comunicação social. Isto levanta a questão de com que bases partimos para estabelecer um relação de confiança nas respectivas linhas editoriais após este caso?
Espero sobretudo que este caso exista para haja um contágio de desobediência civil generalizada na imprensa em defesa do interesse público. Ficamos sem garantias de que todos se pugnam para que a verdade saia crua para as bancas.
No Público sai o José Manuel Fernandes e entra outra direcção editorial a dizer que o jornal tinha deixado de ter uma agenda politica. No DN e JN os respectivos directores recebem recomendações para terem e cito "cuidado com as perguntas que andam a fazer". Na TVI arruma-se a Manuela Moura Guedes e manda-se o director do canal embora. Na RTP passam os anos e o serviço público editorial aos sucessivos Governos é mantido. O Diário Económico é comprado pela Ongoing que é referida como o plano B.
Vamos ter de continuar a conviver com estas flutuações do mercado e de quem manda. Da mesma forma que se exige ao actual Governo a uma sã convivência com a opinião diferente, parece que o papel que nos é reservado no enredo é de separar o trigo do joio. A sorte é que ainda existem uns perturbados em tentar repor o senso público.
19 de fevereiro de 2010
21 de janeiro de 2010
Reflexão sobre as eleições na AAUAlg
Passou algum tempo. Poderemos fazer uma reflexão mais ou menos ajustada, tenho a consciência que existem pedaços da história que influenciam mais para um lado ou para o outro. Mas também existem os pedaços da história que por força da sua natureza devem ser inquebráveis. Não podemos utilizar todo o tipo de meios justificando os seus fins. Receio que muita da carga dramática imposta ao longo da campanha eleitoral não seja acompanhada de igual forma, tanto na derrota como na vitória.
Decerto que todos os puritanos não esperam que de repente apareça uma amnésia politicamente correcta. Um instrumento que impeça que se olhe para trás.
Bem, se acreditam serão ludibriados pela vossa astúcia cega mas não vinculativa.
Na hora de entregar as chaves da vitória e da bajulação não faltaram com certeza personagens. Devemos saber o momento de ser politicamente correctos e devemos saber quando não devemos ser tão submissos.
Passado este tempo de hiato, devo confessar que foi uma experiência bastante enriquecedora e estimulante.
A história é sempre construída por parcelas que se encaixam umas nas outras. Muitas completamente dependentes umas das outras. A palavra evolução existe partindo do princípio que existe um determinado estádio e que este tem um processo de crescimento, de desenvolvimento que o levará a outra estrutura. Com isto quero dizer que é profundamente errado querer discutir o futuro sem o poder apoiar em bases passadas. Houve um obstáculo constante a referências passadas. Percebo perfeitamente que queiram que os candidatos a uma direcção geral (DG) projectem as suas ideias, mas é contra producente que não se explique o teor de acções que claramente influenciam os projectos que cada um possa vir apresentar, tendo em conta que algumas ideias são influenciadas por políticas anteriores. Uma coisa é querer como muitos chamam e com razão lavar "roupa suja", outra é propor a evolução explicando como, porquê e para quê.
Aqueles que esconderam ou pactuaram com quem foi lascivo nos interesses da Academia serão sempre cúmplices de alguns problemas refutados pelos alunos. Continuo a não pactuar com aqueles que não defendem e não defenderam o trabalho como a legitimidade verdadeira para estar no serviço público. Vou ser sempre rígido quanto a isto.
Quando mais o tempo avançava, mais de perto via-se aqueles que estavam a lidar com estes assuntos de forma mais conhecedora e pragmática. Se por um lado queremos sempre contar com os melhores, por outro deve-se ter a obrigação moral de atrair novos actores para o associativismo. Aquilo que não se deve permitir a ninguém é a sobreposição. Quando vemos estudantes sem qualquer tipo de experiência a dar o corpo às balas, quando vemos estudantes que para além da vontade, não se esquecem da humildade temos de aplaudir e nunca tentar esfriar as suas acções. É no mínimo desonroso tentar ombrear com estas situações. Devemos sempre tentar proporcionar integração e nunca afastamento.
Na nossa vida, ao longo do tempo iremos ocupar cargos que nos exigem postura e distanciamento. Não deixamos de ter a nossa opinião, o nosso pensamento. Devemos ter em conta quando podemos ou não representar o nosso interesse sem afectar o geral. Mas nunca colocar o ego à frente do interesse a que se está vinculado.
Durante estas eleições havia uma noção que provavelmente iríamos ter uma segunda volta para a DG. Esta segunda volta assumiu um carácter diferente da primeira. Com todos os órgãos já eleitos menos a DG iríamos ter à prova o princípio que eu acima referi. Sinceramente não consigo ter o alcance suficiente de todos os órgãos para dizer quem soube fazer a diferenciação. Mas existem dois órgãos inequivocamente importantes na composição da estrutura electiva que pela sua essência devem ser imparciais. A Assembleia Magna e o Conselho Fiscal. Quem fosse o vencedor deve ter uma colaboração estreita com estes dois órgãos.
Como disse, podemos ter as nossas preferências mas tendo sempre em conta o interesse geral. A imparcialidade não pode ser oferecida como garantia numa campanha eleitoral e depois da eleição à primeira ocasião ser esquecida. É de uma falta de noção total do interesse geral dos alunos e que coloca em causa uma politica de actuação isenta e que se pretende de julgamento independente da DG.
O que se passou no dia da eleição com representantes do conselho fiscal eleitos, a ter actividade parcial a favor de uma lista em desfavor de outra é uma demonstração clara da violação e da clara tendência que não nos garante que o trabalho a que foram sufragados seja desempenhado de forma correcta. Por mais desculpas que se idealizem, nenhuma irá repor o capital de confiança destruído. Seria quanto a mim e quanto a todos que defendem a independência dos órgãos não haver consequências para este tipo de atitudes. Quer por respeito a eles próprios, quer pelo respeito que devem a todo o edifício associativo da Universidade.
O direito de exigir responsabilidades não se esgotou. Pelo contrário, aumentou pelo conhecimento que adquirimos. Quem se alhear será somente mais um.
Vai sendo altura de na nossa sociedade exigir-se a cobrança de responsabilidades, e nós que seremos os líderes do amanhã, não podemos pactuar com esta indiferença constante.
Decerto que todos os puritanos não esperam que de repente apareça uma amnésia politicamente correcta. Um instrumento que impeça que se olhe para trás.
Bem, se acreditam serão ludibriados pela vossa astúcia cega mas não vinculativa.
Na hora de entregar as chaves da vitória e da bajulação não faltaram com certeza personagens. Devemos saber o momento de ser politicamente correctos e devemos saber quando não devemos ser tão submissos.
Passado este tempo de hiato, devo confessar que foi uma experiência bastante enriquecedora e estimulante.
A história é sempre construída por parcelas que se encaixam umas nas outras. Muitas completamente dependentes umas das outras. A palavra evolução existe partindo do princípio que existe um determinado estádio e que este tem um processo de crescimento, de desenvolvimento que o levará a outra estrutura. Com isto quero dizer que é profundamente errado querer discutir o futuro sem o poder apoiar em bases passadas. Houve um obstáculo constante a referências passadas. Percebo perfeitamente que queiram que os candidatos a uma direcção geral (DG) projectem as suas ideias, mas é contra producente que não se explique o teor de acções que claramente influenciam os projectos que cada um possa vir apresentar, tendo em conta que algumas ideias são influenciadas por políticas anteriores. Uma coisa é querer como muitos chamam e com razão lavar "roupa suja", outra é propor a evolução explicando como, porquê e para quê.
Aqueles que esconderam ou pactuaram com quem foi lascivo nos interesses da Academia serão sempre cúmplices de alguns problemas refutados pelos alunos. Continuo a não pactuar com aqueles que não defendem e não defenderam o trabalho como a legitimidade verdadeira para estar no serviço público. Vou ser sempre rígido quanto a isto.
Quando mais o tempo avançava, mais de perto via-se aqueles que estavam a lidar com estes assuntos de forma mais conhecedora e pragmática. Se por um lado queremos sempre contar com os melhores, por outro deve-se ter a obrigação moral de atrair novos actores para o associativismo. Aquilo que não se deve permitir a ninguém é a sobreposição. Quando vemos estudantes sem qualquer tipo de experiência a dar o corpo às balas, quando vemos estudantes que para além da vontade, não se esquecem da humildade temos de aplaudir e nunca tentar esfriar as suas acções. É no mínimo desonroso tentar ombrear com estas situações. Devemos sempre tentar proporcionar integração e nunca afastamento.
Na nossa vida, ao longo do tempo iremos ocupar cargos que nos exigem postura e distanciamento. Não deixamos de ter a nossa opinião, o nosso pensamento. Devemos ter em conta quando podemos ou não representar o nosso interesse sem afectar o geral. Mas nunca colocar o ego à frente do interesse a que se está vinculado.
Durante estas eleições havia uma noção que provavelmente iríamos ter uma segunda volta para a DG. Esta segunda volta assumiu um carácter diferente da primeira. Com todos os órgãos já eleitos menos a DG iríamos ter à prova o princípio que eu acima referi. Sinceramente não consigo ter o alcance suficiente de todos os órgãos para dizer quem soube fazer a diferenciação. Mas existem dois órgãos inequivocamente importantes na composição da estrutura electiva que pela sua essência devem ser imparciais. A Assembleia Magna e o Conselho Fiscal. Quem fosse o vencedor deve ter uma colaboração estreita com estes dois órgãos.
Como disse, podemos ter as nossas preferências mas tendo sempre em conta o interesse geral. A imparcialidade não pode ser oferecida como garantia numa campanha eleitoral e depois da eleição à primeira ocasião ser esquecida. É de uma falta de noção total do interesse geral dos alunos e que coloca em causa uma politica de actuação isenta e que se pretende de julgamento independente da DG.
O que se passou no dia da eleição com representantes do conselho fiscal eleitos, a ter actividade parcial a favor de uma lista em desfavor de outra é uma demonstração clara da violação e da clara tendência que não nos garante que o trabalho a que foram sufragados seja desempenhado de forma correcta. Por mais desculpas que se idealizem, nenhuma irá repor o capital de confiança destruído. Seria quanto a mim e quanto a todos que defendem a independência dos órgãos não haver consequências para este tipo de atitudes. Quer por respeito a eles próprios, quer pelo respeito que devem a todo o edifício associativo da Universidade.
O direito de exigir responsabilidades não se esgotou. Pelo contrário, aumentou pelo conhecimento que adquirimos. Quem se alhear será somente mais um.
Vai sendo altura de na nossa sociedade exigir-se a cobrança de responsabilidades, e nós que seremos os líderes do amanhã, não podemos pactuar com esta indiferença constante.
8 de janeiro de 2010
Assim vai Portugal...
Isto é politica pura, jogamos todos este jogo. Mas será que as actuais futuras gerações terão poder suficiente para ter o discernimento necessário de ver o que está a passar?
O casamento entre homossexuais foi aprovado no Parlamento há minutos. Por mim já deveria ter sido aprovado.
Maioria de esquerda, suposto tema de esquerda, aprovado pela esquerda. Não vislumbro grandes problemas e para mim é um direito que assiste a quem o quiser aplicar. Penso mesmo que a minha geração e as antecedentes terão esta visão menos apegada a costumes bastante tradicionalistas e tendem todos para a respectiva legalização.
Para mim o problema grave é outro. Como disse o Presidente da República (e assinando por baixo) devemos neste momento concentrar-nos nas questões que nos unem e não nas que nos fracturam. Está certamente em causa um desmembramento de opinião momentâneo que o tempo atenuará mas que podia ter sido adiado ou antecipado.
Mas a noticia que marca o dia é outra. A taxa de desemprego atingiu 10.3% (http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1417211) e tem vindo sempre subir . Ontem Portugal ficou a saber que o valor que produzimos já não chega para as dividas acumuladas e em 2015 chegará aos exorbitantes 125% de rácio da dívida pública (http://www.ionline.pt/conteudo/40738-bpi-grandes-obras-vao-pesar-no-bolso-do-contribuinte-mais-cedo-do-que-se-pensa)
Até quando poderemos viver assim descontrolados? Não sei, mas hoje seguramente o assunto principal será o casamento entre pessoas dos mesmo sexo e o quanto isso irá contribuir para a felicidade dessas pessoas. Mas esquecem que existe uma situação gravíssima que irá afectar gerações futuras na sua estabilidade e felicidade. Eu sei que neste momento não parece ser tão fracturante, mas é um engano. Está em causa uma mentalidade incomportável e que quero ter fé que a minha geração não se coaduna e que vai ter a coragem de ter uma atitude responsável. Mas infelizmente não vamos poder ter essa opção. Vamos ter mesmo de ser responsáveis.
O casamento entre homossexuais foi aprovado no Parlamento há minutos. Por mim já deveria ter sido aprovado.
Maioria de esquerda, suposto tema de esquerda, aprovado pela esquerda. Não vislumbro grandes problemas e para mim é um direito que assiste a quem o quiser aplicar. Penso mesmo que a minha geração e as antecedentes terão esta visão menos apegada a costumes bastante tradicionalistas e tendem todos para a respectiva legalização.
Para mim o problema grave é outro. Como disse o Presidente da República (e assinando por baixo) devemos neste momento concentrar-nos nas questões que nos unem e não nas que nos fracturam. Está certamente em causa um desmembramento de opinião momentâneo que o tempo atenuará mas que podia ter sido adiado ou antecipado.
Mas a noticia que marca o dia é outra. A taxa de desemprego atingiu 10.3% (http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1417211) e tem vindo sempre subir . Ontem Portugal ficou a saber que o valor que produzimos já não chega para as dividas acumuladas e em 2015 chegará aos exorbitantes 125% de rácio da dívida pública (http://www.ionline.pt/conteudo/40738-bpi-grandes-obras-vao-pesar-no-bolso-do-contribuinte-mais-cedo-do-que-se-pensa)
Até quando poderemos viver assim descontrolados? Não sei, mas hoje seguramente o assunto principal será o casamento entre pessoas dos mesmo sexo e o quanto isso irá contribuir para a felicidade dessas pessoas. Mas esquecem que existe uma situação gravíssima que irá afectar gerações futuras na sua estabilidade e felicidade. Eu sei que neste momento não parece ser tão fracturante, mas é um engano. Está em causa uma mentalidade incomportável e que quero ter fé que a minha geração não se coaduna e que vai ter a coragem de ter uma atitude responsável. Mas infelizmente não vamos poder ter essa opção. Vamos ter mesmo de ser responsáveis.
5 de dezembro de 2009
Relatos de campanha
Estou completamente absorvido pela campanha eleitoral para a Associação Académica.
Tomo a consciência da decisão que tomei ao aceitar o convite. O desgaste, vai aparecendo, a lucidez vai decrescendo mas o sentido de missão, esse está sempre presente.
Nada é como queremos, aparece sempre um detalhe a desviar o plano estabelecido. Acontecem coisas que em teoria não deveriam acontecer. Aparecem poderes que não deveriam aparecer. Isto é suposto ser uma luta de ideias, de projectos, de disponibilidade para o serviço público mas depressa deixa de o ser.
De repente o aspecto material ganha relevo, a ideia desvanece...fico apenas com a deixa teórica que os melhores momentos da história foram quando o homem proporcionou a vitória das ideias sobre o poderio do poder selvagem, do simples poder pelo poder.
O que se passa? pergunto-me constantemente se já não deveríamos estar no auge da pluralidade sã. Mas não, noto um fosso entre quem entra no seu 1º ano de universidade e quem já leva dois nas pernas. Noto a inconstância que o final do ensino secundário proporciona...penso mais uma vez que em 10 minutos não consigo resolver o problema...olho à minha volta e vejo um aluno perdido, explico tudo que sei...sinto que tomou outra percepção da realidade. A moral levanta-se, mas logo vem uma semente de mau estar ao saber que não tenho tempo para falar com o mundo inteiro...que faço? fico paralisado no tempo...
Acordei...dizem.me que estamos numa 2ª volta...tarefa gigantesca esta de transportar a força dos que querem a mudança e daqueles que ainda acham que não têm o poder de mudar.
Posso não ter tempo de alertar todos, posso não ter tempo de gritar o suficiente a todos, mas a cair...vou cair sempre de pé!
Tomo a consciência da decisão que tomei ao aceitar o convite. O desgaste, vai aparecendo, a lucidez vai decrescendo mas o sentido de missão, esse está sempre presente.
Nada é como queremos, aparece sempre um detalhe a desviar o plano estabelecido. Acontecem coisas que em teoria não deveriam acontecer. Aparecem poderes que não deveriam aparecer. Isto é suposto ser uma luta de ideias, de projectos, de disponibilidade para o serviço público mas depressa deixa de o ser.
De repente o aspecto material ganha relevo, a ideia desvanece...fico apenas com a deixa teórica que os melhores momentos da história foram quando o homem proporcionou a vitória das ideias sobre o poderio do poder selvagem, do simples poder pelo poder.
O que se passa? pergunto-me constantemente se já não deveríamos estar no auge da pluralidade sã. Mas não, noto um fosso entre quem entra no seu 1º ano de universidade e quem já leva dois nas pernas. Noto a inconstância que o final do ensino secundário proporciona...penso mais uma vez que em 10 minutos não consigo resolver o problema...olho à minha volta e vejo um aluno perdido, explico tudo que sei...sinto que tomou outra percepção da realidade. A moral levanta-se, mas logo vem uma semente de mau estar ao saber que não tenho tempo para falar com o mundo inteiro...que faço? fico paralisado no tempo...
Acordei...dizem.me que estamos numa 2ª volta...tarefa gigantesca esta de transportar a força dos que querem a mudança e daqueles que ainda acham que não têm o poder de mudar.
Posso não ter tempo de alertar todos, posso não ter tempo de gritar o suficiente a todos, mas a cair...vou cair sempre de pé!
6 de novembro de 2009
A minha Universidade!
Final de Maio de 2009. Começo a tomar consciência que dentro do meu "inner circle" académico existe uma crescente frequência em falar do muito que não está a ser feito dentro da Associação Académica da Universidade do Algarve. Noto que a "Carta Aberta" de Março passado abriu uma preocupação sobre a impotência que um grupo de alunos, embora legitimados nas urnas, provocou nos corredores das Escolas e Faculdades. A minha particularmente, a Escola Superior de Hotelaria, Gestão e Turismo foi devastada por uma corrente de factos assente no ridículo. Perante este cenário, juntei-me a umas vozes dentro da nossa Escola e começamos a apurar a possibilidade de gerar uma força capaz de assegurar a real defesa dos estudantes, algo que com profunda desilusão digo que não foi feito no mandato que está finalizar.
Por termos a verdadeira consciência da gravidade do que se passou, começamos a trabalhar nesta junção de vontades bem cedo, de forma a não cair no erro que outros outrora cometeram.
Não foi surpresa encontrar mais gente disposta a incluir-se na causa. Será e é sempre surpresa para mim encontrar gente que embora reconheça que não foi competente, embora não tenha conseguido assegurar a responsabilidade que a sua função assim o exige, tenha a coragem e o descaramento de voltar a candidatar-se a cargos em que não soube estar altura.
Muito do que se vive hoje é devido a uma inexistência de responsabilidades e é chegada a hora de apontar o dedo a quem não merece a confiança, de apontar o dedo a quem não nos defendeu e tem o descaramento de olhar somente para o seu ego.
Por termos a verdadeira consciência da gravidade do que se passou, começamos a trabalhar nesta junção de vontades bem cedo, de forma a não cair no erro que outros outrora cometeram.
Não foi surpresa encontrar mais gente disposta a incluir-se na causa. Será e é sempre surpresa para mim encontrar gente que embora reconheça que não foi competente, embora não tenha conseguido assegurar a responsabilidade que a sua função assim o exige, tenha a coragem e o descaramento de voltar a candidatar-se a cargos em que não soube estar altura.
Muito do que se vive hoje é devido a uma inexistência de responsabilidades e é chegada a hora de apontar o dedo a quem não merece a confiança, de apontar o dedo a quem não nos defendeu e tem o descaramento de olhar somente para o seu ego.
1 de novembro de 2009
Nobel da Paz
Com o prémio Nobel, Obama ganhou no papel a legitimidade em trazer os E.U.A. de volta à função cimeira da conciliação e da unificação. Será contudo uma responsabilidade acrescida, pois já foi premiado por uma tarefa que ainda agora começou mas que não duvido que as suas capacidades em tornar as criticas republicanas em mera retórica de ocasião.
15 de outubro de 2009
Como é que é possivel?
João de Deus Pinheiro, cabeça-de-lista do PSD por Braga renunciou. O seu anúncio como membro das listas para a assembleia da república já tinha deixado um certo ar de surpresa. Isto é brincar com coisa sérias. É muito fácil justificar a renuncia com "motivos pessoais" e substituir pelo eleito a seguir, será que deixou a ética em Bruxelas?
Existem limites no jogo da politica que devem ser respeitados e só mostra que está a sair da politica activa pela porta mais pequena se não mostra razões válidas para o que fez.
Existem limites no jogo da politica que devem ser respeitados e só mostra que está a sair da politica activa pela porta mais pequena se não mostra razões válidas para o que fez.
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